Taxa SELIC sobe para 2,75%: Inflação, Dólar, Ações, FIIs…

Após a decisão do COPOM em aumentar a taxa Selic para 2,75%, muitas pessoas e investidores ficaram em dúvida sobre os motivos e as consequências desta decisão.

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9 minutos de leitura

No artigo de hoje vamos entender o que muda com o aumento da Selic: inflação, a cotação do dólar e os investimentos em Renda Fixa, Ações e Fundos Imobiliários. Fique comigo até o final deste artigo e aproveite para assistir ao vídeo acima no meu canal no Youtube.

AVISO: Este material NÃO é recomendação de compra ou venda de ativos. O intuito desta página é exclusivamente educacional para lhe ensinar como analisar um Fundo Imobiliário. Você é quem deve decidir o seu posicionamento em relação ao Fundo.

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Taxa Selic 2,75

Na data de 17/03/2021 o COPOM (Comitê de Política Monetária), órgão ligado ao Banco Central do Brasil (BACEN), decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 2,75% a.a, após 6 anos de queda na taxa básica de juros.

Os principais argumentos no comunicado do COPOM para justificar a elevação da taxa são:

  • A rápida recuperação da economia mundial com o avanço da vacinação contra o Covid-19, o que gera risco inflacionário;
  • As incertezas sobre a recuperação da economia brasileira, que caso seja lenta, dificulta a manutenção da taxa Selic nos patamares atuais;
  • A elevação no preço das commodities internacionais (soja, café, arroz, minério de ferro, etc) tem afetado a inflação nos últimos meses. Um exemplo claro disso é o atual patamar do IGP-M em 28,94%;
  • As expectativas de inflação para a economia brasileira em 2021 na cada dos 4,6%.

Além disso, o COPOM já deixou claro que em Maio, quando há uma nova reunião, provavelmente subirá a taxa Selic nos mesmos patamares ou ainda elevará um pouco mais acima do que a última reunião. Neste sentido, as expectativas são para uma taxa Selic entre 3,50% – 3,75% a.a. para Maio de 2021. Para o final de 2021, as projeções são de 4,5%-5,5% a.a.

Como fica a Poupança com a nova Selic

Como se sabe, durante o governo de Dilma Rousseff foi aprovado um projeto de lei em Maio de 2015 prevendo que o rendimento da Poupança será de 70% da Selic enquanto a mesma estiver abaixo dos 8,5% a.a. Isto foi feito porque muitos investidores deixavam de comprar os títulos de dívidas do Tesouro Nacional (Tesouro Direto) para deixar o seu dinheiro na poupança.

Com o aumento da taxa Selic para 2,75% a.a, a poupança passou a render 1,93% a.a., um aumento de 37,86% no seu rendimento.

Para calcular o quanto rende a poupança em relação à taxa Selic, basta seguir a fórmula abaixo:

Poupança = taxa Selic * 0,70

Poupança = 2,75 * 0,70

Poupança = 1,93

Ou seja, se hoje você investir R$ 1.000,00 na Poupança, resgatará R$ 1.019,37 em 12 meses.

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O que muda com o aumento da Selic

Como estamos vendo, o aumento da taxa Selic gera diversas consequências para a economia brasileira. A taxa Selic influencia no financiamento imobiliário, na cotação do dólar, na inflação e no retorno dos investimentos como renda fixa, ações e fundos imobiliários. Abaixo vamos ver a situação de cada um deles:

Financiamento Imobiliário

Recentemente bancos como Caixa, Itaú e Inter lançaram modalidades de financiamento imobiliário com Taxa Fixa + Poupança + TR. Se você possui esta modalidade de financiamento no seu contrato, provavelmente sofrerá reajustes no valor das parcelas nos próximos meses.

Se você assinou o contrato em Dezembro de 2019 com Taxa Fixa = 3.99% a.a. + Poupança = 1,4% a.a. + TR = 0% a.a., totalizando 5,39% a.a. de Juros do Financiamento Imobiliário, agora verá esta taxa subir +0,53%, totalizando 5,92% a.a. Você ainda deve considerar outras taxas do financiamento, como Taxa Administrativa e Seguros, sendo assim, verifique qual é o CET (Custo Efetivo Total) do seu financiamento para saber qual será o valor de acréscimo em suas parcelas.

Importante: Com o provável aumento da taxa Selic em Maio de 2021 e baseado nas projeções da Selic para o final de 2021, os Juros do Financiamento Imobiliário poderá ficar entre 6,44% a.a. e 8,49% a.a.

Cotação do Dólar

Na mesma data em que o COPOM confirmou o novo ciclo de alta da taxa Selic no Brasil, o comitê de política monetária do Federal Reserve, o FOMC, manteve a taxa básica de juros dos EUA entre 0% e 0,25%, justificando que as projeções inflacionárias para a economia americana seguem estáveis.

Sendo assim, quando juntamos a notícia de estabilidade na taxa de juros dos EUA com um ciclo de alta na taxa de juros do Brasil, a tendência no curto e médio prazo é que investir em título públicos brasileiros fique mais atrativo do que investir em títulos públicos norte-americanos. O efeito disto será a um aumento na entrada de dólares no Brasil e consequentemente contribuindo para uma queda na cotação da moeda americana aqui no país.

Inflação

No Brasil há dois índices que medem os níveis de inflação: o IPCA e o IGPM. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação da economia brasileira, pois é medido e divulgado pelo IBGE, além de ser considerado pelo Banco Central para a tomada de decisões nas políticas monetárias. O IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) é medido e acompanhado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). A principal diferença entre os índices está na sua cesta de composição, onde cada um considera o peso do diversos setores da economia para compôr os respectivos índices. Ambos os índices são utilizados para indexar contratos de investimento, aluguel de imóveis, juros de empréstimos, entre outros.

Nos últimos 12 meses o IGPM acumula alta de 28,94%, enquanto o IPCA está em 5,20%, ambos com tendência de alta para os próximos meses. O motivo da alta dos índices inflacionários pode ser explicado por uma reação em cadeia na economia brasileira: o início da pandemia parou parte da força produtiva do Brasil, forçando o COPOM a baixar a taxa Selic para ajudar a estimular a economia. Com a demora da retomada econômica e o alto nível de instabilidade política nacional, houve grande depreciação cambial da nossa moeda, tornando os produtos agrícolas e commodities brasileiras mais baratos no mercado mundial, gerando alta de exportação destes produtos, menos oferta no mercado interno e consequentemente elevação de preços.

Com a provável queda no preço do dólar decorrente do ciclo de alta na taxa Selic, os produtos brasileiros ficarão um pouco menos atraentes para exportação, aumentando a oferta dos mesmos no mercado interno e consequentemente ajudando a diminuir os seus preços.

Quem não se lembra do preço do arroz?

Renda Fixa

Provavelmente você deve ter alguma reserva de emergência guardado em algum título do Tesouro Direto ou em algum outro ativo pós-fixado indexado à Selic. Pois com este novo patamar da taxa Selic em 2,75% a.a. e as projeções do ciclo de alta na taxa de juros, muitos investidores passarão a alocar parte dos seus recursos nesta categoria de investimentos e consequentemente haverá aumento nas taxas de curto prazo e queda nas taxas de longo prazo.

Isto ocorre porque o ganho real com investimentos em Renda Fixa passa a ser maior, ainda que no atual patamar, o juro real brasileiro esteja negativo. O juro real brasileiro somente será positivo quando a taxa Selic for maior do que o IPCA. Atualmente temos IPCA = 5,20% a.a. e Selic = 2,75% a.a. , resultando em um juro real de -2,45% a.a. , ou seja, teoricamente, investimentos atrelados à Selic precisam pagar um prêmio maior do que 2,45% para que haja um ganho real por parte do investidor.

Ações

Os investimentos em Renda Variável não deveriam ser diretamente afetados por este primeiro movimento de alta na taxa Selic, pois conforme vimos anteriormente, o juro real no Brasil ainda é negativo, sendo assim, qualquer empresa da Bolsa de Valores com um Dividend Yield acima de 6% a.a. já cobre a inflação e traz ganhos reais ao investidor. Mas no médio e longo prazo caso a taxa Selic ultrapasse a barreira dos 6%, pode ser que haja uma diminuição de capital na Bovespa, com investidores migrando parte dos seus recursos para a Renda Fixa.

Temos que considerar que cerca de 50% dos atuais investidores na Bolsa de Valores ingressaram em 2020 e num cenário de Selic a 2,00%, e acredito ser muito improvável que estas pessoas simplesmente zerem suas posições em ações.

Falando sobre as empresas listadas na Bolsa de Valores, quem se beneficia com a alta da Selic são os bancos, pois aumentarão o seu ganho Margem de Receita Bruta. Outro setor que vai se beneficiar diretamente com esta alta são as seguradoras, pois grande parte do caixa referente aos prêmios recebidos de seguros fica investido em renda fixa, normalmente atrelado ao CDI.

Por outro lado, empresas com auto endividamento ou auto grau de alavancagem poderão ter os seus resultados financeiros impactados por conta dos empréstimos contraídos, provavelmente atrelados ao CDI.

Fundos Imobiliários

Assim como as ações, os fundos imobiliários também não devem sofrer com a alta da taxa Selic. Diversos fundos de tijolos possuem indexadores como IPCA, IGPM e CDI para indexar os seus reajustes anuais de contratos, e o mesmo se aplica aos fundos de CRI. Além disso, diversos fundos imobiliários possuem parte do seu Patrimônio Líquido investido em Renda Fixa, portanto podemos esperar um melhor resultado financeiro de diversos fundos nos próximos meses.

Além disso, o que baliza a decisão dos investidores em escolher os seus investimentos é o retorno sobre a Inflação (neste caso, o IPCA) e não sobre a Selic. Então se os fiis continuarem distribuindo rendimentos anuais acima do índice IPCA, investir em fundos imobiliários seguirá sendo atrativo para o investidor.

Aumento da taxa Selic é bom ou ruim?

Quem me acompanha aqui no blog há mais tempo sabe que eu venho criticando o atual patamar da taxa Selic. O que precisamos entender é que o índice da taxa básica de juros de um país determina o quão arriscado ele é para receber investimentos e consequentemente captar recursos financeiros para custear as suas dívidas contraídas por ingerência, quando um governo gasta mais do que arrecada com impostos.

No caso específico do Brasil, a rota da queda da taxa Selic deu-se início no governo de Jair Bolsonaro, pois acreditava-se numa rápida implementação da agenda de reformas liberais a serem executadas no país. No primeiro ano do governo, medidas como a MP 881 – Liberdade Econômica e a Reforma da Previdência colocaram o Brasil numa rota de reformas e crescimento futuro. Mas em 2020 veio a pandemia e a junto com ela o completo esvaziamento da agenda liberal do Governo, que tentar retomar as pautas de privatizações e corte de gastos em 2021.

Ou seja, dado que o Brasil ainda não alcançou o grau de excelência prometido pelo atual governo e ainda coloca-se em dúvida se tais reformas irão prosperar, já não havia mais fundamentos para sustentar baixos índices de juros. A taxa Selic em um patamar de 2% é muito mais uma promessa de um país melhor do que uma realização concreta, e dada a realidade dos fatos, agora a taxa de juros precisa retornar ao patamar onde o país infelizmente ainda se encontra.

Um abraço e até o próximo artigo.

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