CVCB3 – O que esperar para as ações da CVC em 2021

Maior operadora de viagens da América Latina, a CVC possui uma série de problemas internos para resolver, além de seguir lidando com as fortes ameaças do mercado de turismo no curto prazo.

Assista ao vídeo no meu canal no Youtube

7 minutos de leitura

O ano de 2020 não tem sido fácil para a CVC (CVCB3), maior operadora de turismo da América Latina. Novo presidente, problemas na contabilidade com suspeitas de desvios internos, digitalização, pandemia, Argentina e o mercado de aviação mundial em frangalhos colocarão a prova todo o poder da gigante turística. No artigo de hoje vamos analisar as ações da CVC e quais são os riscos para a empresa no curto prazo.

AVISO: Este material NÃO é recomendação de compra ou venda de ativos. O intuito desta página é exclusivamente educacional, com o intuito de ensinar a você como se analisar Ações, Fundos Imobiliários e Setores da Economia. Você é quem deve decidir o seu posicionamento em relação às ações da empresa analisada.

CONHEÇA A MINHA LIVRARIA

Mercado de Viagens e Turismo

Assim como eu expliquei sobre o mercado de Energia Elétrica, o mercado de Viagens e Turismo também é dividido em diferentes segmentos. Nos últimos 6 anos eu estive trabalhando neste mercado, então posso falar com bastante segurança. O mercado de Viagens e Turismo pode ser classificado em:

  • Corporativo – Empresas especializadas em atender viagens de executivos. Exemplo: Uma equipe de diretores de uma empresa que pretende fazer uma visita técnica em outro país. Estas pessoas precisarão de passagem aérea, hotéis bem localizados e uma empresa de transporte no local que possa ajudá-los no deslocamento.
  • Lazer – Empresas especializadas em atender viagens de férias, principalmente para casais e famílias.
  • Operadoras – Empresas especializadas em operar os serviços turísticos, tais como Aéreas (GOLL4, AZUL4), Cruzeiros, Traslados e Guias Turísticos.
  • Agência de Viagem – Empresas especializadas em agenciar ou intermediar a venda de serviços entre as Operadoras e o Cliente final, seja este Corporativo ou Lazer.
  • Consolidadora – Empresas especializadas em emitir Passagens Aéreas para as Agências de Viagens. O processo de compra de passagens aéreas entre Agências e Aéreas é muito burocrático, então as Consolidadoras resolvem este problema.
  • Broker Hoteleiro – Fazem o mesmo serviço das Consolidadoras, mas são focados apenas em oferecer Hotéis para as Agências de Viagens.
  • Receptivo – Empresas especializadas em receber turistas e oferecer serviços de passeios. Algumas empresas possuem receptivos nacionais e internacionais, onde recebem turistas estrangeiros e oferecem os serviços em vários idiomas.
  • Intercâmbio – Empresas especializadas nas viagens de intercâmbio estudantil.

Há também os casos de empresas que são especializadas em segmentos e nichos específicos, como por exemplo as Consolidadoras Corporativas ou Agências de Viagens de Lazer. Agora vamos analisar em quais segmentos e nichos a CVC se enquadra.

CVCB3

A CVC foi fundada em 1972 como uma Operadora de Turismo e realizou o seu IPO em 2013. Durante estes anos, a empresa se consolidou como uma das principais marcas no mercado de Viagens e Turismo no Brasil, principalmente nas áreas de Agência de Viagens espalhadas por diversos shoppings no Brasil. Atualmente a CVC possui cerca de 1,2 mil lojas entre estabelecimentos próprios, lojas franqueadas e parceiros exclusivos (agências que tem o seu próprio nome mas vendem os produtos da CVC). Em 2019, a CVC Corp vendeu R$ 17,1 bilhões, tendo apenas a Decolar.com (Grupo Despegar) como concorrente à altura no continente quando o assunto é faturamento.

A CVC Corp está inserida em quase todos os segmentos e nichos possíveis no mercado de Viagens e Turismo, seja com a sua marca ou através de empresas que foram adquiridas e fazem parte do seu grupo:

  • Agência de Turismo de Lazer – É o ponto forte da empresa. A empresa possui forte presença no mercado de Viagens de Férias e Lazer, sendo a marca mais lembrada pelos brasileiros na hora de viajar, oferecendo pacotes de viagens completos para o Brasil e o exterior, além de cruzeiros marítimos. Também fazem parte da CVC as Agências de Viagens Online (OTA) Submarino Viagens e o site argentino Almundo.
  • Operadora de Turismo – A CVC é a maior operadora de turismo da América Latina e em 2017 realizou a aquisição das suas duas principais concorrentes neste mercado: Visual Turismo e Trend. Em 2018 a CVC Corp adquiriu o grupo OLA Viajes, o maior operador de turismo da Argentina.
  • Consolidadora – A CVC Corp adquiriu as duas maiores empresas do setor de Consolidação de passagens aéreas: RexturAdvance e Esferatur.
  • Intercâmbio – Em 2016 a empresa Experimento, maior empresa do setor de Viagens de Intercâmbio foi adquirida pela CVC.

Como podemos ver, a CVC possui um verdadeiro império no mercado de turismo, destacando-se pelas vendas, capilaridade e diversificação de negócios dentro do mercado. Além de todas as atuações diretas da empresa, também há as atuações indiretas e que lhe garantem vantagens competitivas: É a única operadora do Brasil a vender cruzeiros marítimos da Pullmantur, possui ofertas exclusivas para vender hotéis do grupo GJP, fundado por um dos controladores da CVC Corp.

Mesmo com toda força, quais são os riscos para as ações da CVC na Bolsa de Valores? É o que vamos analisar a seguir.

CONHEÇA A MINHA LIVRARIA

GOL (GOLL4) , AZUL (AZUL4) E LATAM

Uma das grandes perdas que a CVC tive durante o ano de 2019 foi com o “efeito Avianca” que em Maio/2019 deixou de operar seus voos pelo Brasil. Para a CVC o prejuízo ao longo do ano entre cancelamentos, reembolsos e processos foi de R$217,9 mi, considerando que a Avianca possuía na época a menor fatia do mercado nacional, com cerca de 10%.

Dito isto, vemos que as empresas GOL (GOLL4) e AZUL (AZUL4) atualmente encontram-se em posições favoráveis com a lenta e crescente retomada da demanda por passagens aéreas, além de uma posição de caixa relativamente confortável que lhes permite passar pela pandemia de forma menos pior. Ambas as empresas foram ágeis em buscar renegociação com fornecedores, acordo de redução salarial e demissões da tripulação e contratação de linha de crédito para o capital de giro. Mas o mesmo não se pode dizer da LATAM, a maior companhia aérea no Brasil atualmente. O braço norte-americano do grupo está passando por processo de recuperação judicial nos EUA (artigo 13), arrolando a filial brasileira no processo e dificultando a sua vida no Brasil. Além disto, somente em Setembro/2020 a LATAM finalizou o seu acordo coletivo com os trabalhadores, acarretando em altos gastos financeiros desnecessário em um período delicado para a empresa.

Se com 10% do mercado a Avianca foi capaz de causar um rombo de R$217 mi para a CVC, você já imaginou o potencial estrago que a LATAM seria capaz de causar nas ações da CVCB3 caso entre em processo de recuperação judicial e posterior suspensão de atividades no Brasil, ocupando cerca de 35% do mercado nacional?

CONHEÇA A MINHA LIVRARIA

Argentina

Como vimos anteriormente, a CVC fez a aquisição de duas empresas com sede na Argentina: Ola Viajes e Almundo. Em 2019 ambas representaram cerca de R$1,6 bilhões dos R$17,1 bilhões faturados pela empresa no ano.

Se o ano de 2020 vai mal para o mundo, a Argentina vive um capítulo a parte na sua história, com grandes protestos com o atual governo Fernandez/Kirchner que vem tomando medidas econômicas desagradáveis aos cidadãos do país. A pandemia que já afeta as economias mundiais e principalmente o turismo, que aliado ao delicado momento político e econômico da Argentina, com certeza afetará fortemente o balanço destas empresas. Um exemplo disto é a Decolar.com (Despegar.com), com sede também na Argentina, que viu as suas vendas no país despencarem 98% em 2020. Ou seja, dependendo dos rumos tomados pelos nossos hermanos, a CVC poderá enfrentar problemas com suas empresas no país vizinho.

CVC – Digitalização é uma aposta necessária

Em matéria publicada em 02/10/2020 no portal Panrotas, o CEO da CVC Corp, Leonel Andrade, afirmou que a digitalização da empresa é um desafio necessário para a empresa.

Não é novidade para ninguém que os canais de vendas online da CVC possuem desempenho muito ruim quando comparado ao desempenho das vendas nas lojas físicas e também quando comparado aos seus pares no mercado. Além disso, o mercado de turismo brasileiro carece de aplicações tecnológicas na área de Backoffice, onde ainda diversas intervenções manuais são realizadas por agentes em casos de remarcação de data da viagem, reembolso a clientes e pagamentos a fornecedores, pesando bastante nos índices de eficiência financeira e operacional da empresa.

CONHEÇA A MINHA LIVRARIA

CVCB3 – Governança

Logo no início de 2020 a CVC encontrou problemas para divulgar o seu balanço financeiro do último trimestre de 2019, adiando por duas vezes a data da apresentação. Após a troca do CEO, foi realizada uma auditoria independente na empresa, onde foi constatada uma distorção de R$362,38 mi no balanço da empresa devido à ineficiências internas no processo de controle de contas, com suspeitas de manipulações intencionais nos números da empresa.

Casos parecidos aconteceram com a IRB (IRBR3) e Via Varejo (VVAR3) e sabemos o quanto estes eventos atrapalham a credibilidade da empresa diante do mercado. Sendo assim, a CVC terá um longo caminho a percorrer para corrigir as suas falhas internas de governança.

CONHEÇA A MINHA LIVRARIA

CVCB3 Vale a Pena?

O futuro para os negócios da CVC Corp (CVCB3) andam bastante nebulosos quando analisamos outras empresas de outros setores da economia. Como pontos positivos, a CVC é uma empresa grande e consolidada no mercado nacional, uma das marcas mais lembradas pelo consumidor e de acordo com o seu balanço financeiro, a empresa possui ativos maiores do que passivos, ou seja, em termos financeiros a empresa é bem administrada. Além disso, a CVC Corp acelerou o seu processo de absorção das empresas controladas, redesenhando o organograma da empresa e extinguindo cargos e funções que até então estavam sendo duplicados, gerando economia com custo de pessoal na empresa. Por último, ela deve sair mais digitalizada e organizada no pós-pandemia, podendo ser este um fator estratégico muito positivo para abocanhar uma fatia maior do mercado quando os consumidores voltarem a viajar. Um exemplo disto é o fato de as suas vendas de pacotes de viagens nacionais estarem apenas 20% abaixo dos números de 2019.

Como pontos negativos, vejo problemas muito maiores no campo externo do que interno para as ações da CVC. O atraso em encontrar uma vacina para diminuir os efeitos da pandemia, o risco de falência principalmente da LATAM, a alta do dólar puxada pela forte queda da Selic e os riscos fiscais no Brasil são ameaças simultâneas que podem dificultar a vida da empresa no curto prazo.

Mas caso os fatores positivos se sobressaiam aos negativos, as ações da CVC possuem alta capacidade de subirem, uma vez que negociam a 66% do valor de 12 meses, como podemos ver na imagem abaixo:

fonte: https://statusinvest.com.br/acoes/cvcb3

Sendo assim, você deve avaliar se a vale a pena comprar ou não as ações da CVC.

Obrigado pela sua leitura e até o próximo artigo.


Siga o meu blog

Assine a Newsletter e fique por dentro de todas as postagens do meu Blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: