Ações do Setor Elétrico | Por que você deveria investir no setor energia?

Conhecido como um dos setores mais blindados da Bovespa, o setor de Energia Elétrica pode ter um 2021 muito promissor, de acordo com as previsões do Banco Central.

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9 minutos de leitura

Durante algumas semanas venho falando sobre a alta da inflação e como você pode proteger os seus investimentos desta alta que deve durar até o início de 2021. Nesta semana falei também sobre as expectativas do Banco Central para a alta da inflação dos serviços públicos divulgada na última Ata do Copom, apontando o setor elétrico como um dos melhores setores da bolsa de valores para crescer em 2021. No post de hoje vou detalhar um pouco mais sobre as empresas do setor de energia elétrica listadas na Bovespa (B3SA3): subsetores, rentabilidade, dividendos e muito mais.

AVISO: Este material NÃO é recomendação de compra ou venda de ativos. O intuito desta página é exclusivamente educacional, com o intuito de ensinar a você como se analisar Ações, Fundos Imobiliários e Setores da Economia. Você é quem deve decidir o seu posicionamento em relação às ações da empresa analisada.

Consumo de energia no Brasil

De acordo com o estudo Balanço Covid-19: Impactos nos mercados de energia no Brasil – 1º semestre de 2020, publicado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o consumo de energia no Brasil é crescente desde 2016, com destaque para o ano de 2019 com maior oferta por energias renováveis.

Fonte: EPE (Empresa de Pesquisa Energética)

Ainda de acordo com o estudo, o ano de 2020 será impactado com uma queda de, até o momento, 5,0% no consumo de energia em todo o país. Devido à pandemia, muitas empresas e indústrias pararam ou reduziram as suas atividades, contribuindo para a queda no consumo de energia em todo o país.

Fonte: EPE (Empresa de Pesquisa Energética)

Fonte: EPE (Empresa de Pesquisa Energética)

Matriz energética

Fonte: EPE (Empresa de Pesquisa Energética)

Geração, Transmissão, Distribuição

O mercado de energia elétrica no Brasil é dividido em três partes: Geração, Transmissão e Distribuição de energia.

  • Geração: é a atividade inerente à produção de energia elétrica através das usinas. Uma usina pode ser hidráulica, térmica, solar, eólica, nuclear, carvão, entre outros tipos. As usinas elétricas são capazes de converter a energia mecânica em energia elétrica.
  • Transmissão: A transmissão de energia elétrica é o processo de transportar energia entre dois pontos, conectados por linhas de transmissão de alta potência, através de antenas e cabos. Neste caso, as transmissoras são responsáveis por levar a energia gerada através das usinas até as distribuidoras.
  • Distribuição: A distribuição de energia elétrica é a última etapa do processo, fazendo a entrega de energia ao consumidor final. A distribuição inicia-se nas subestações de energia, chegando aos postes instalados nas ruas que são conectados às residências e empresas dos consumidores.

Setor Elétrico Bolsa de Valores

Atualmente as empresas do setor de energia elétrica representam 4,991% do total do índice Bovespa (IBOV11). As empresas listadas são TAEE11, EGIE3, ENBR3, CMIG4, CPFE3, ELET3, ELET6, ENGI11, EQTL3. Além disso, o setor elétrico superou o Ibovespa em oito dos últimos dez anos.

Setor Elétrico Empresas

O mercado do setor elétrico é composto por diversas empresas, onde algumas delas atuam em mais de um segmento dentro do setor. Abaixo você verá a distribuição do mercado por segmento e as principais empresas de cada um deles, baseado no estudo Análise do Ambiente Concorrencial do Setor Elétrico no Brasil, divulgado em Julho de 2018 pela FGV.

Geração de Energia

Fonte: Análise do Ambiente Concorrencial do Setor Elétrico no Brasil – FGV, Julho/2018

No segmento de Geração de Energia temos como principais empresas listadas na Bovespa:

  • Eletrobrás (ELET3)
  • Engie (EGIE3)
  • Copel (CPLE6)
  • Cemig (CMIG4)
  • AES Tietê (TIET11)
  • CESP (CESP3)
  • Eneva (ENEV3)
  • Light (LIGT3)

O mercado de geração do energia elétrica é considerado por muitos analistas como o mais complexo do setor elétrico. Os principais riscos deste segmento são os grandes investimentos em infraestrutura para a construção de usinas de geração que no Brasil sempre enfrentam grande resistência de grupos ligados ao meio ambiente, principalmente em áreas indígenas ou de proteção ambiental. Outro risco é a falta de diversificação das fontes de energia, porque com o passar dos anos, certos tipos de fonte de energia são mais ou menos demandados por razões como clima e novas fontes de energia que são criadas.

Transmissão de Energia

Fonte: Análise do Ambiente Concorrencial do Setor Elétrico no Brasil – FGV, Julho/2018
  • Eletrobrás (ELET3)
  • CTEEP (TRPL4)
  • Taesa (TAEE11)
  • Cemig (CMIG3)
  • Alupar (ALUP11)

O segmento de transmissão de energia é considerado o “filé mignon” do setor elétrico, pois as empresas transmissoras adquirem o direito de construir as linhas transmissoras de energia através de concessões com contratos de 20 a 30 anos de duração. Além de dar segurança para o longo prazo, a oferta e demanda de energia da região já é conhecida, trazendo maior previsibilidade na receita destas empresas.

Distribuição de Energia

Fonte: Análise do Ambiente Concorrencial do Setor Elétrico no Brasil – FGV, Julho/2018
  • Cemig (CMIG3)
  • CPFL (CPFE3)
  • Neoenergia (NEOE3)
  • Energisa (ENGI11)
  • EDP (ENBR3)
  • Equatorial (EQTL3)

O segmento de distribuição de energia é considerado o mais arriscado do setor elétrico. Este é o segmento responsável por levar a energia à residência das pessoas e às empresas, onde os problemas e riscos são diversos: Alto custo com manutenção, furto de energia ou o famoso “gato”, inadimplência. Além disso, está tramitando no Senado Federal o PLS 232/2016, também conhecido como novo marco regulatório do setor elétrico. A principal mudança neste projeto que poderá afetar as distribuidoras é a livre concorrência de escolha por parte do consumidor sobre a contratação da distribuidora. Em outras palavras, da mesma forma que você escolhe o seu provedor de internet, você também poderá escolher quem será o seu provedor de energia elétrica em sua residência, aumentando a concorrência entre as empresas e provavelmente diminuindo as margens de lucro do segmento.

Setor Elétrico Dividendos

O setor elétrico é conhecido como um dos melhores pagadores de dividendos na bolsa de valores. Abaixo você pode conferir o dividendo yield das empresas do setor elétrico em 2019, e o que você pode esperar delas para os próximos anos:

TICKERDIVIDEND YIELD 2019
TIET118,6 %
TAEE117,2 %
CPFE36,7 %
EGIE36,2 %
LIGT36,1 %
TRPL45,7 %
CMIG44,5 %
ELET64,1 %

Setor Defensivo

O setor elétrico é considerado um dos setores mais defensivos para os investidores, principalmente para o investidor iniciante. Os serviços prestados são essenciais para todos (afinal, ninguém vive sem energia elétrica), a maioria das empresas de distribuição de energia pertencem ao Governo Federal ou a governos estaduais, diminuindo a concorrência e contribuindo para maior previsão de receita, a grande maioria das empresas apresentam lucro constante e pagam bons dividendos.

Setor Elétrico Vale a Pena ?

Quem deve responder esta pergunta é você, caro investidor. Como pudemos ver durante este post, o setor elétrico apresenta diversas vantagens como altos dividendos, previsibilidade e diversificação de empresas listadas na Bovespa.

Devido à pandemia, o ano de 2020 tende a não ser muito positivo para o setor elétrico. Governos proibiram as empresas a cortarem o serviço de fornecimento em caso de inadimplência e também o reajuste da tarifa de serviço. Estas ações devem impactar as receitas destas empresas e a distribuição de dividendos para 2020 e 2021, pois algumas empresas levam de 6 a 12 meses para distribuir os dividendos de um determinado período. Porém, o Banco Central reconhece uma alta da inflação sobre Preços Administrados para 2021 e 2022, alta esta acima do IPCA previsto para os respectivos anos. Isto significa que provavelmente teremos alta nos preços destes serviços ,que serão repassados aos consumidores e trarão mais receitas para estas empresas.

Aos poucos o mercado de energia elétrica está sendo aberto ao livre mercado, principalmente na área de Distribuição, o que pode levar algumas empresas à serem pressionadas pelo mercado. Além disso, o setor é altamente controlado direta ou indiretamente pelo Estado, interferindo nos preços das tarifas, locais de distribuição e problemas para liberação de projetos para ampliação de geração ou transmissão de energia.

Por este motivo, caso você pretenda investir em empresas do setor elétrico, é importante estudar o mercado de energia de forma segmentada, entendendo toda a cadeia de consumo (geração, transmissão e distribuição), e assim tomar as melhores decisões para investir nestas empresas.


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