Por que o preço do arroz subiu tanto? 6 motivos para a alta no preço do arroz que não te contaram

Vilão da vez, o arroz acumula alta de 117% no campo e já é vendido por até R$40 o pacote de 5kg no varejo.

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8 minutos de leitura

De tempos em tempos, ao conversarmos com amigos e familiares um assunto sempre chega à mesa:

  • Caramba, você viu como o preço da carna subiu?
  • Nossa! O preço do álcool em gel e das máscaras está um absurdo!
  • Olha o preço do arroz! Como pode subir tanto assim?
  • Onde é que nós vamos parar?

Em Novembro/2019 o Brasil estava escandalizado com o aumento de preços da carne bovina, que disparou 15% em questão de um mês. Em Março/2020 foi a vez das máscaras e do álcool em gel aumentarem em 161% os preços. E em Agosto/2020, o vilão da vez foi o aumento do preço do arroz, alcançando os 100%. Há outros produtos que também tiveram alta importante de preço, mas sem muito alarde: o leite acumulou alta de 9% em Setembro/2020, em Julho/2020, materiais de construção acumulavam alta de 40%. Em Março/2020, a carne bovina acumulava queda de 15% nos preços. O álcool em gel teve queda de 14% entre Agosto e Setembro/2020. Infelizmente, fatos como estes dois últimos não viram notícia.

Mas afinal, o que toda esta alta e baixa de preços tem em comum? É o que você vai entender neste post de hoje. Por mais que isto seja algo comum, recorrente e de certa forma saudável, muitas pessoas não sabem os motivos que levam a estas oscilações, ou até mesmo se esquecem de todos os agentes responsáveis por formar os preços. Sendo assim, listei os 6 motivos que podem fazer com que os preços de produtos e alimentos subam repentinamente:

1 – Oferta e Demanda: muitos se perguntam o que é oferta e demanda. A Oferta são produtos e serviços disponibilizados pelos vendedores e Demanda são os compradores que estão demandando estes produtos ou serviços. Sendo assim, compradores e vendedores, se encontram no Mercado para fazer negócios, dando origem à lei da oferta e demanda ou lei da oferta e procura. Esta “lei” – não é uma lei constituída, mas é um consenso entre os economistas – é a responsável por subir ou baixar os preços dos produtos de acordo com as variações de oferta e demanda. Segundo esta lei, quanto mais demanda ou procura há por determinado bem ou serviço, mais os preços subirão, porque mais pessoas querem estão dispostas a pagar por isto. E quanto menos demanda ou procura, mais oferta deste produto haverá, fazendo com que os preços caiam, pois menos pessoas estão dispostas a pagar por isto. O desafio do mercado está em encontrar o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda, pois quando há excesso de oferta, os preços caem de forma excessiva, apertando as margens de lucro dos vendedores, e quando há excesso de demanda, há aumento de preços e escassez de produto.

O que é oferta e demanda na Economia? - Dicionário Financeiro
dicionariofinanceiro.com – Lei da Oferta e Demanda (Ponto de Equilíbrio)
A lei da oferta e da demanda – henriquecer.com
henriquecer.com – Lei da Oferta e Demanda (mercado)

2 – Queda da Selic x alta do Dólar: Pode parecer que não, mas as constantes quedas da taxa Selic está diretamente ligada com a alta do Dólar. Quando grandes fundos de investimento e casas de análise montam uma carteira de investimento para grandes investidores, um dos componentes que sempre está presente é o de investir em títulos de dívidas de governos ou de grandes empresas na América Latina. Este tipo de investimento é recomendado pelo fato dos países do nosso continentes serem economias de terceiro mundo e portanto, pagarem uma remuneração maior em virtude de um risco maior para o investidor.

Com as seguidas quedas da taxa de juros brasileira, o Brasil segue sendo uma economia de terceiro mundo, mas com uma taxa de juros de economias de primeiro mundo. Ao analisar este cenário, os investidores estrangeiros pensam: “Eu posso investir o meu dinheiro em um título de dívida no Brasil que remunera o valor da Taxa de Juros + 4% ao ano, ou posso investir o meu dinheiro em um título de dívida dos EUA que remunera o valor da Taxa de Juros + 4% ao ano.” , ou seja, com estimativas de retorno iguais, para onde você acha que o investidor migrará os seus recursos? Obviamente que para o local mais seguro! A consequência disto é o evento que chamamos de Fuga de Capital, quando há grande retirada de moeda de um país. Com esta fuga, a moeda local se enfraquece em relação à moeda forte, gerando o mesmo efeito da lei da oferta e demanda: menos dólares em circulação no país o tornam mais caro.

3 – Aumento da Exportação: Com o Dólar alto, produtos brasileiros passam a ficar mais barato para exportação. E foi justamente o que aconteceu em Novembro/2019 com o preço da carne e agora em Setembro/2020 com o preço do arroz. Mais baratos, diversas empresas importadoras de alimentos vieram às compras no Brasil, pagando mais caro pelos produtos do que o mercado interno brasileiro estava disposto. Com o aumento da exportação, a oferta de produto no mercado doméstico diminuiu, fazendo com que os preços dos produtos subissem. No caso do arroz, as exportações em Junho/2020 subiram 1.108% em relação a Junho/2019. No acumulado do ano, o Brasil aumentou em 41% a exportação do arroz e a tendência é seguir em alta.

4 – Alta liquidez no mercado: Desde o início da pandemia houve aumento de liquidez na economia brasileira. De acordo com o Banco Central do Brasil, a estimativa para 2020 era a circulação de R$301 bi em dinheiro. Até o final de Junho/2020, o total já estava na casa dos R$342 bi, onde os principais motivos deste aumento de dinheiro em circulação na economia foram causados pelas demissões dos trabalhadores, forçando empresas a pagarem indenizações trabalhistas e a liberação de valores do FGTS; e pelo Auxílio Emergencial de R$600. Com alta disponibilidade de dinheiro com queda na atividade econômica, houve uma distorção econômica no curto prazo, fazendo com que houvesse maior demanda por produtos sem que a oferta acompanhasse o mesmo ritmo. Como vimos anteriormente, maior demanda e menor oferta gera aumento de preços.

5 – Custos e ritmo de produção industrial: Com o aumento do preço do Dólar, alguns custos de produção também subiram, como insumos e maquinário. Adicionalmente, a pandemia forçou as fábricas a trabalharem em ritmo mais lento e também com custos adicionais, afinal, máscaras e álcool em gel não são gratuitos. Quem conhece produção industrial sabe que ociosidade custa dinheiro ao produtor, e a soma de todos estes novos custos acaba sendo repassado ao consumidor. Para confirmar este dado, basta ver o aumento do IPP – Índice de Preços ao Produtor, onde o setor de Produtos Alimentícios acumula alta de 12,03% nos últimos 12 meses.

6 – Controle de preços disfarçado: Oficialmente governos das diversas esferas afirmam que são contra o controle de preços. Porém, há dois fatos recentes que não podem ser ignorados: O Procon-SP junto ao governador do estado anunciaram a fiscalização para combater “preços abusivos” praticados por donos de mercados. Da mesma forma, o Governo Federal notificou mercados através do SENACON a justificarem os aumentos nos preços. Ocorre que o PROCON-SP não define o que são “preços abusivos”, deixando tal julgamento de forma subjetiva. Da mesma forma, houve a declaração do Presidente Jair Bolsonaro pedindo mais “patriotismo” aos donos de supermercado. Ao receberem tais ameaças de forma velada, alguns donos de supermercado simplesmente podem optar por não venderem estes itens para evitar problemas para si, ou até mesmo subirem os preços de outros produtos para compensar as perdas causadas pela intervenção política no mercado. Basta observar o que está acontecendo na Argentina, onde o controle de preços ajudou a segurar os preços para baixo, causando uma grande corrida aos mercados até que os produtos entrassem em escassez.

Como pudemos ver, a alta do preço do arroz e de outros produtos não é apenas uma questão de pessoas e empresas buscarem maiores lucros, senão que há uma cadeia de fatores que levam a um resultado. Temos que lembrar que os preços são sempre consequências e não as causas dos problemas. Conforme eu escrevi no meu post anterior, há formas de melhorarmos o cenário nacional e impedir ou ajudar a diminuir estes eventos inflacionários que de tempos em tempos assombram o brasileiro.

No próximo post eu vou falar quais são as medidas necessárias para nos protegermos da alta da inflação, partindo do cenário atual que estamos vivendo, seja no dia a dia, seja em nossa carteira de investimentos. Conforme pode ser lido no livro O Investidor Inteligente, Graham sempre alertou para a necessidade de ajustar a carteira de investimentos conforme haja sinais de aumento da inflação.

E você, o que tem feito para se proteger da alta da inflação e do preço do arroz? Comente abaixo quais são as suas sugestões de medidas.


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